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“O Duplo da Terra” em sala de aula!

O Duplo da Terra, meu terceiro livro, traz encartado em sua ediçãoum suplemento literáriocom sugestões de atividades para realização em sala de aula, envolvendo desde criação de textos, ilustrações e fotografias, até teatro, colagem, debate e produção musical. Neste ano, a professora Dheyni Barimaker da Silva, daEscola Amélia Lenzi Raymundi, de Sananduva/RS, trabalhou o livro com seus alunos, e eu estou como? Coberta de alegria da cabeça aos pés. De que outro jeito poderia estar? Já agradeci pessoalmente e por vídeo, mas nunca é demais: obrigada, profe e gurizada querida, pela oportunidade de participar e estar junto com vocês em sala de aula – sala de aula que, aliás, é o habitat natural de todo livro.








Lugar de cultura

Cultura na Praça era o nome do evento organizado por David Faria, Bianca Zachert e André Nascimento – que, como o próprio nome sugere, deveria acontecer na praça central de Carazinho durante a tarde do dia 10 de novembro de 2018, reunindo exposições de arte e música. No dia 8, 48h antes, os organizadores foram informados de que não poderiam realizar o evento na praça, já que aconteceria outro evento da prefeitura ali, marcado para o mesmo dia, local e horário. Assim, transferiram o Cultura na Praça para a Gare, um lugar bem legal, porém sem árvores, grama e nem sombra. A previsão marcava 35 graus para aquela tarde, e a maioria dos artistas e expositores confirmados foi pego desprevenido, precisando correr de última hora atrás de gazebos, guarda-sóis ou qualquer coisa capaz de proteger do sol furioso. Eu fui um destes artistas, e como não arrumei gazebo e nem guarda-sol, acabei participando apenas como público. O evento estava lindo, mas o calor judiou. Alguns artistas enfrentaram o so…

O Ritmo do Mundo

O céu de nuvens carregadas e cinzas Misturava-se ao rio de águas tão escuras quanto cristalinas. Fundiam-se no horizonte formando uma sinfonia fina Tão sombria, tão linda, tão fria. O sol se escondia Não dava para saber a hora Mas era algo entre o meio e o fim do dia.
Era mais ou menos assim que acontecia.
Lembro que tinha ventania. O vento vindo do leste ventava como se nada houvesse Como se tudo bem estivesse Como se não vivêssemos sem nenhum alicerce Como se ainda seguíssemos algum mestre.
O vento ventava e não se importava Não poupava, não parava, não cansava Levando o que encontrava até as nuvens carregadas Lá no céu, que alcançava o fim. Sem se abalar com as rajadas pesadas O vento também ventava em mim.
O varal esforçava-se para os lençóis segurar Os tecidos dançando sem cadência ou resistência, naquela malemolência a bailar Suas cores contrastavam com o acinzentado do rio, do céu, da rua, do mundo, de todo lugar. Ali eu soube, era hora de parar e contemplar Sem faróis a guiar Sem heróis a invocar …

Esclarecendo a escuridão

Sou a responsável pelo Nascedouro, selo da Editora Os Dez Melhores que publica livros escritos por crianças e adolescentes. De 2013 pra cá, publicamos sete livros contendo textos e desenhos de mais de 240 estudantes do interior do Rio Grande do Sul. Logo, participei diretamente de sete lançamentos, e cada um foi especial e inesquecível à sua maneira. Porém, nosso mais recente lançamento, a obra “Jovens Escritores Brasileiros Vol. 2”, que aconteceu no dia 14 de novembro de 2018 em Sananduva/RS, foi particularmente especial e inesquecível, devido ao contexto que experimentamos agora, enquanto país e enquanto cidadãos. Enquanto coletivo e enquanto indivíduos. Vivemos tempos de crise generalizada, disso ninguém duvida. O colapso não é apenas político e econômico, mas moral e estrutural. A falência da sociedade que conhecíamos revelou o que de pior existe no ser humano: violência, fanatismo, intolerância. Algo sem precedentes em nossa história. Uma espécie de guerra ideológica, cujo combat…

Eu, de esquerda?

Eu escrevo crônicas desde 2004. Sempre tive blog, e também já publiquei em sites, revistas, livros e jornais ao longo dos anos. Em 2018, lá se vão cinco primaveras que escrevo quinzenalmente para o jornal O Informativo Regional, de Sananduva/RS, e pelo menos dois anos que mantenho uma coluna no jornal A Folha, de Não-Me-Toque/RS. Não sou capaz de contar quantas crônicas já escrevi na vida, mas foram algumas centenas. Nestes textos, desde os primeiros até os últimos, sempre procurei refletir o meu tempo, como ensinou Nina Simone, abordando temas pertinentes à nossa realidade. De modo que, quem já leu pelo menos cinco crônicas minhas, sabe que racismo, machismo, homofobia e direitos humanos são assuntos recorrentes em meu trabalho. Tem política em cada caractere que eu digito. Apesar disso, jamais me posicionei a favor de um partido ou de um determinado candidato, bem pelo contrário. Sempre deixei claro que, não importa quem está no poder, eu sou contra, inclusive e principalmente se fo…

Editora Desdêmona

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O meu poema “Com licença” foi selecionado para integrar a primeira coletânea da Editora Desdêmona, “As coisas que as mulheres escrevem”. Em um país onde 70% dos livros publicados são escritos por homens; onde 60% das histórias são protagonizadas por homens; onde dizer a uma autora que ela “escreve como um homem” é elogio; é mais do que uma honra participar deste projeto.  É um grande privilégio.


Diálogo é para quem sabe dialogar

Se houve uma lição que eu aprendi nestas tenebrosas e inesquecíveis eleições de 2018 é que diálogo é para quem é do diálogo. Por isso se chama diálogo e não monólogo: porque pressupõe a existência de duas ou mais pessoas trocando ideias. A questão é que, para que haja, de fato, diálogo, todas as partes envolvidas precisam estar abertas para mudar de opinião, e é aqui que reside o problema. Certezas costumam minar diálogos, pois ao invés de ampliar o debate, o restringe e o atrofia. A convicção cega de que a verdade é nossa propriedade nos faz adaptar a realidade às nossas crenças, e não o contrário. Um perigo, como estamos vendo. Nossa falta de discernimento e raciocínio chega a tal ponto, que vivemos a era das fake news, algo que só se cria em um país intelectualmente subdesenvolvido. E o pior: notícias falsas que são verdadeiros absurdos; que até uma criança de cinco anos deveria saber que é mentira. Nós não sabemos. Nós acreditamos, porque temos muita certeza, e compartilhamos convi…